DEMOCRACIA
Sabemos que a palavra “democracia” nasceu na Grécia, especificamente na cidade-Estado de Atenas, no período clássico, sendo composta pelos radicais “demos” e “kratos”, que significam, respectivamente: “povo” e “governo”. Em linhas gerais, a democracia é definida, desde a antiga Grécia, como “governo do povo”, ou “governo popular”, em contraposição a outras formas de governo, que também remontam à Idade Antiga, como a aristocracia, a monarquia, a diarquia, a tirania, a oligarquia, entre outros. Entretanto, quando pensamos em democracia no mundo contemporâneo, algumas nuances devem ser feitas.
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Democracia moderna
A democracia moderna, tal como a
concebemos hoje, isto é, pautada em ordenamentos jurídicos e
instituições políticas sólidas, que representam os três poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo), só se tornou possível após a derrocada do Antigo Regime Absolutista, na transição do século XVIII para o século XIX. Com a Revolução Francesa e, depois, a Era Napoleónica, surgiram na Europa alguns dos alicerces do que viria a ser o nosso modelo de regime democrático: a formação de grandes centros populacionais, em virtude da Revolução Industrial; a noção de povo associada a uma nação; a soberania política da nação passou a ser vinculada a esse povo, e não mais ao rei; e a instituição do voto, ou sufrágio universal, como parte do sistema representativo directo.
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Diferenças entre a democracia ateniense e a democracia moderna
A democracia desenvolvida em Atenas
não era considerada o melhor dos governos possíveis (como é hoje o
nosso modelo de democracia), e isso por um motivo razoavelmente simples:
apenas uma fração mínima dos “homens livres” integrava a vida política
de Atenas. Mulheres, escravos, estrangeiros e outras categorias sociais
não tinham direito de participar das deliberações da Assembleia
(Ekklesia). A experiência da democracia ateniense tinha como
preocupação fundamental, antes de qualquer coisa, evitar a tirania –
pior forma de governo para época. Do mesmo modo, a forma de governo
aristocrático também cumpria esse papel.
Outra diferença importante da democracia grega para a nossa é ressaltada pelo pesquisador Robert A. Dahl. Vejamos:
Também acrescentamos uma
instituição política que os gregos não apenas consideravam desnecessária
para suas democracias, mas perfeitamente indesejável: a eleição de
representantes com autoridade para legislar. Poderíamos dizer que o
sistema político inventado pelos gregos era uma democracia primária, uma
democracia de assembleia ou uma democracia de câmara de vereadores.
Decididamente, eles não criaram a democracia representativa como hoje a
entendemos.
A Ekklesia, assembleia grega, era um
modelo de instituição política bastante restrito. Como Dahl ressalta,
era uma espécie de democracia primária, em termos de representatividade,
um “embrião” do que viria a ser a democracia representativa na
sociedade de massas.
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